Sobre a Campanha Amigos na Demência

A Campanha Amigos na Demência é uma iniciativa da Alzheimer Portugal, que visa mudar a forma como o nosso país pensa, age e fala sobre a demência


Objetivos

O objetivo geral da campanha Amigos na Demência é aumentar a compreensão sobre as demências no nosso país e convidar os cidadãos (incluindo as entidades públicas, as empresas e as organizações do terceiro setor) a comprometerem-se ativamente na melhoria do dia a dia das Pessoas com Demência. 

Os objetivos específicos são:

  • Aumentar o nível de consciencialização sobre a demência em Portugal;
  • Ajudar os portugueses a compreenderem como é que a demência afeta as pessoas;     
  • Diminuir o estigma associado à demência;
  • Alterar comportamentos para tornar a sociedade amiga das pessoas com demência;


O que é um Amigo na Demência?

Um Amigo na Demência é aquele que aprende um pouco mais sobre como é viver com demência e depois transforma essa aprendizagem numa ação (que pode ser pequena ou grande, no alcance, complexidade ou recursos) em favor das pessoas com demência.

Qualquer pessoa, de qualquer idade, pode ser Amigo na Demência.

Tornar-se Amigo na Demência não implica necessariamente oferecer o seu tempo numa base regular ou acompanhar uma Pessoa com Demência em particular. Pretende-se que o Amigo se recorde e ponha em prática o que aprendeu no âmbito da campanha, sempre que lidar ou conviver, no seu dia a dia pessoal, familiar, profissional ou de lazer, com uma pessoa com demência. 


Enquadramento Internacional

Esta campanha integra-se no movimento global Dementia Friends liderado pela Alzheimer’s Society no Reino Unido e conta com a adesão de vários milhões de “Amigos” em diversos países do mundo.

Com esta campanha, a Associação pretende dar resposta aos mais recentes apelos internacionais para que se desenvolvam iniciativas que contribuam para sociedades amigas das pessoas com demência. O “Plano de Ação Global de Resposta da Saúde Pública à Demência 2017-2025” da Organização Mundial da Saúde contém sete linhas de ação, sendo que a segunda linha de ação trata da consciencialização sobre a demência e “friendliness”. 

No que respeita ao enquadramento europeu, sublinham-se os resultados do “European Dementia Monitor 2017” da Alzheimer Europe, em que Portugal apresenta pontuação zero quanto à inclusão e às iniciativas amigas das Pessoas com Demência, pelo facto de não ter implementado qualquer iniciativa até à data.


Mensagens

As 5 mensagens principais que queremos difundir no âmbito da campanha Amigos na Demência são as seguintes:


  • A demência não faz parte do envelhecimento normal

A palavra demência é utilizada para descrever um grupo alargado de sintomas, que podem incluir a perda de memória, dificuldades de raciocínio de resolução de problemas, assim como alterações da linguagem, do humor ou do comportamento. 

Estas mudanças são pequenas ao início mas, com o tempo, tornam-se mais graves e prejudicam o dia-a-dia da pessoa com demência. 

Existe ainda muito desconhecimento e estigma, associando-se os esquecimentos à idade. No entanto, apesar de afetar sobretudo as pessoas mais velhas, a demência não faz parte do envelhecimento normal. Pessoas mais novas também podem desenvolver demência.


  • A demência é causada por doenças do cérebro

Como qualquer órgão do nosso corpo, o nosso cérebro também pode ser afetado por doenças. Existem mais de 100 tipos de demência. Além da Doença de Alzheimer as mais comuns são a Demência Vascular, a Demência de Corpos de Lewy e a Demência Frontotemporal.

Diferentes tipos de demência afetam o cérebro de formas e ritmos diferentes. Mas há outros aspetos que também influenciam a forma como cada um vive com demência: as suas circunstâncias individuais, as pessoas que as rodeiam e o contexto em que vivem. A demência progride de uma forma única em cada indivíduo.


  • A demência não se resume à perda de memória

A dificuldade em memorizar novas informações ou lembrar-se de acontecimentos, pessoas ou tarefas do dia-a-dia é, sem dúvida, o sintoma mais conhecido da demência, e também aquele que é mais facilmente identificado por familiares e amigos numa fase inicial da doença. Mas não é o único. 

A pessoa pode ter dificuldade em fazer planos e tomar decisões, trocar o lugar das coisas, não encontrar a palavra certa, não saber o caminho para voltar para casa, ter dificuldades em vestir-se ou cozinhar uma refeição. 

A demência pode também afetar a perceção, por exemplo, um chão brilhante pode parecer molhado ou um tapete escuro pode parecer um buraco.

Em suma, qualquer parte do cérebro pode ser afetada pela demência.


  • É possível viver melhor com demência

As pessoas com demência, em fases iniciais, podem continuar a ser capazes de trabalhar, conduzir e relacionar-se com os outros. O que cada um é capaz de fazer, com que grau de autonomia, e durante quanto tempo, irá variar de pessoa para pessoa. 

Viver melhor com demência significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Apesar da demência implicar vários desafios, o importante é criar um ambiente que facilite a ocupação e o lazer, assim como a participação social das pessoas com demência. Essencialmente, aquilo que uma pessoa precisa para viver melhor com demência é de apoio e de compreensão.


  • A pessoa é muito mais do que a demência

Cada pessoa tem uma história de vida, gostos e hábitos que a tornam única. 

Os comportamentos de uma pessoa com demência, por muito estranhos ou desadequados que possam parecer, têm uma justificação. O grande desafio está em não julgar a pessoa com demência e tentar compreender o significado das suas ações, pois esta não tem culpa de não se lembrar ou não conseguir expressar aquilo que a pode estar a perturbar.

Uma pessoa com demência é uma pessoa como qualquer outra, por isso, não devemos nunca dizer “doente” ou “demente”, mas sim usar a expressão “pessoa com demência”, pois assim vemos a pessoa em primeiro lugar, não apenas a demência.

É importante uma interação positiva e tranquila, que tenha em conta a vontade e preferências da pessoa: que a faça sentir-se valorizada, feliz e incluída. Um sorriso, um abraço, ou uma conversa pode ser suficiente para melhorar o dia de qualquer pessoa.



Eixos de Intervenção

A campanha terá uma duração prevista de três anos (2018-2020) e é operacionalizada através de três eixos de intervenção:


  • Tornar-se Amigo na Demência online:

Os cidadãos tornam-se Amigos na Demência através do visionamento de um filme para aprender um pouco mais sobre a demência e do preenchimento de um formulário para formalizar o seu compromisso que concretizará a mudança de comportamentos pretendida pela campanha. 


  • Sessões de Informação

A partir de 2019, os cidadãos poderão também tornar-se Amigos na Demência mediante a participação numa sessão de informação realizada por colaboradores e voluntários formados pela Alzheimer Portugal. Estas ações terão lugar em todo o País e terão a duração de uma hora. No final de cada sessão de informação, o número de novos Amigos na Demência é registado pelo respetivo formador voluntário na sua área dedicada no site da campanha. 


  • Parcerias

Os poderes e entidades públicas, as empresas e as organizações do terceiro setor também são convidados a associar-se a esta campanha e a assumirem um compromisso. Os serviços de saúde públicos e privados também são considerados agentes de mudança fundamentais.

Estes parceiros poderão associar-se a esta campanha, divulgando-a, promovendo a aprendizagem sobre a demência e convidando os seus colaboradores, beneficiários, clientes e a comunidade a tornarem-se Amigos na Demência. 

Este terceiro eixo de intervenção entrará em pleno funcionamento a partir de janeiro de 2019.

Em breve, vai poder ajudar-nos a levar os Amigos na Demência para o seu contexto laboral. Fique atento!




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